Só escutava a melodia de meu quarto. Não a escutava de nenhum outro lugar da casa. Não sabia de onde vinha, parecia vir de todos os lugares. Achava que estava louca, ou tendo um sonho absolutamente absurdo.
A melodia soava triste, como se alguém tivera acabado de morrer. Parecia vir de um caixinha de música. A melodia continuou. Todos os dias, do crepúsculo ao amanhecer.
Só eu escutava aquela melodia triste. Nem meus pais, minha avó ou meu primo. Somente eu.
Eu não dormia enquanto a melodia tocava.
Fui a psicólogos e psiquiatras. Fui a vários especialistas, mas não adiantou. Todos diziam a mesma coisa a meu pai, e esta era essa: "Ela está louca, Precisa interna-la". Mas eu não estava louca, a melodia existia.
Papai me internou, e eu passei o resto da minha vida no sanatório, sendo cuidada por enfermeiro que me sedavam para que eu pudesse dormir á noite, quando a melodia começava.
Em fim, eu morri. Com 30 anos de idade, por causa de um tumor em meu cérebro. Minha alma não deixou a Terra. Pude ver meu enterro.
Não sei por que, mas não fui para algum outro lugar. Permaneci na Terra, mesmo não sendo mais humana. Permaneço aqui até hoje.
Eu estou aqui agora, observando esta jovem escrever minha história, como se fosse eu á contá-la. Sem ao menos saber que estou aqui, e estou olhando para ela.
Adeus, pessoas vias e meus companheiros fantasmas - por alguma razão, meus queridos, nós não fomos para o céu ou para o inferno-.
Janette.