sábado, 13 de agosto de 2011

O último dia. (parte 6)

   Peguei o segundo objeto da caixa. Era uma boneca. Cece ganhara de nosso pai em um natal. A boneca quebrou, eu a consertei, mas não ficou muito boa. Cece não brincou mais com ela. Pensei ter feito algo errado. Então ela guardou - pensei -.
   O terceiro objeto era uma caixinha de música. Eu a botei em meu colo e dei corda, mas não funcionou. A melodia que tocava era a favorita de Cece. Ela escutava a melodia uma vez ao dia, antes de dormir, mas a caixinha quebrou. Cece não chorou, nem fez escândalo. Ela apenas disse: "Ela é tão linda. Não vou mais poder vê-la dançar.".

   Eu não consegui olhar mais. Não consegui olhar para todas aquelas coisas. Doía muito.
   Deixei as coisas do jeito que estavam. A coleira de Bernie e minhas fotos com ele, a boneca e a caixinha de música em cima da cama. Nem se quer fechei a caixa. Eu estava perto da porta, quando meu pai disse:
   - Você não precisa ver essas coisas, se não quiser.
   Eu parei enquanto ele falava, depois voltei a andar. Fui até a cozinha ver minha mãe. Comer, se o jantar já estivesse pronto.

   - Ah, querido, você voltou. Vá descansar um pouco, o jantar já está quase pronto.
   - Não quero. Vou no jardim. Me chame quando estiver pronto, por favor.
   - Está bem, mas troque de roupa. Ainda está de pijamas, não quero que pegue um resfriado.
   - Não precisa. Estou bem, de verdade.
   - Está frio. Vista ao menos seu casaco Jesse, por favor, por mim - ela fez seu biquinho -.
   - Ah! Odeio quando você faz isso!
   Ela sorriu.


   Fui ao meu quarto e vesti meu casaco, calcei minhas pantufas e coloquei meu gorro. Voltei a cozinha para mostrar a minha mãe que estava agasalhado o suficiente para não pegar um resfriado. Ela sorriu e eu sai de dentro de casa.

   Lá fora está realmente frio. A lua iluminava tudo, aquela noite estava bem clara. Fui ao canteiro de rosas de minha mãe e colhi uma rosa branca para ela. Ela adorava esta flor, era a sua favorita.
   Mesmo estando com os corações doloridos, meus pais estavam fazendo o possível por mim. Meu pai não sabe fazer isso direito. Ele é meio trancado. Minha mãe cuida de mim. Sempre cuidou, mas quando eu estava triste os cuidados eram multiplicados.
   Isso meu fez pensar no quanto amo minha mãe. Ela é tudo para mim. Ela é meu porto-seguro. Ela é... minha mãe. E é isso que as mães são, portos-seguros.

   Voltei para casa pela porta dos fundos, para que mamãe não me visse. Fui ao meu quarto, peguei um pedaço de papel e escrevi algo nele. Fui a cozinha, minha mãe não estava. Deixei a rosa branca e o papel em cima da mesa da cozinha, para que ela visse. Voltei para o jardim e sentei no nosso banco de balanço. Esperei que ela ou meu pai me chamassem para o jantar.