Querido Jesse,
Estou te escrevendo para lhe falar da minha doença. Como você sabe, andei fazendo uns exames... Pois é. Eu tenho câncer. E eu vou morrer, meu câncer não tem cura. Nós o descobrimos tarde demais para fazer um tratamento, o máximo que posso fazer agora é tomar remédios para não sentir dor.
Não sei quanto tempo ainda vou viver, mas o médico disse que vou saber quando meu último dia chegar.
Esta carta é para você, mas você não irá recebê-la. Ela é para que eu possa desabafar, já que não gosto de diários. É muito fru-fru.
Não me leve a mal, mas te amo, então não quero que sofra, ok? Você me entende, não é? Você faria a mesma coisa por mim.
Pode ficar com raiva de mim depois que eu morrer e você descobrir que eu tinha câncer e que eu não lhe contei. Eu entendo.
Até minha morte, quero viver normalmente. Só papai, mamãe e o médico sabem que estou doente. Mas eu sei o que vou fazer no meu último dia. Vou passá-lo com você.
Olha Jesse, te amo. Te amo mais que tudo. E sinto muito não poder cumprir a promessa que fizemos um ao outro. Eu não quero ir, quero ficar com você. Para sempre. Mas eu não tenho controle sobre minha vida. Não sou a dona morte.
Desculpe-me por ser tão fraca a ponto de ter uma doença que irá me matar.
P.S: Não fique triste quando eu morrer. Vou partir, vou virar uma anjinha, mas vou sempre olhar e estar com você. Não se preocupe. Não ficarei longe.
Quando sentir minha falta, feche os olhos e respire fundo. Saberá que estou pensando em você.
Cece.
Ah, Cece... Você nunca se preocupou consigo mesma - pensei -.
Uma lágrima rolou pelo meu rosto. Eu sorri.
Prometemos ficar juntos para sempre. Promessa de dedinho.
- Sua bobinha... Você está bem ao meu lado agora, você está cumprindo a promessa.