sábado, 13 de agosto de 2011

O último dia. (parte 8) - A segunda carta


   Querido Jesse,

   Estou te escrevendo para lhe falar da minha doença. Como você sabe, andei fazendo uns exames... Pois é. Eu tenho câncer. E eu vou morrer, meu câncer não tem cura. Nós o descobrimos tarde demais para fazer um tratamento, o máximo que posso fazer agora é tomar remédios para não sentir dor.
   Não sei quanto tempo ainda vou viver, mas o médico disse que vou saber quando meu último dia chegar.

   Esta carta é para você, mas você não irá recebê-la. Ela é para que eu possa desabafar, já que não gosto de diários. É muito fru-fru.
   Não me leve a mal, mas te amo, então não quero que sofra, ok? Você me entende, não é? Você faria a mesma coisa por mim.
   Pode ficar com raiva de mim depois que eu morrer e você descobrir que eu tinha câncer e que eu não lhe contei. Eu entendo.

   Até minha morte, quero viver normalmente. Só papai, mamãe e o médico sabem que estou doente. Mas eu sei o que vou fazer no meu último dia. Vou passá-lo com você.

   Olha Jesse, te amo. Te amo mais que tudo. E sinto muito não poder cumprir a promessa que fizemos um ao outro. Eu não quero ir, quero ficar com você. Para sempre. Mas eu não tenho controle sobre minha vida. Não sou a dona morte.
   Desculpe-me por ser tão fraca a ponto de ter uma doença que irá me matar.

   P.S: Não fique triste quando eu morrer. Vou partir, vou virar uma anjinha, mas vou sempre olhar e estar com você. Não se preocupe. Não ficarei longe. 
            Quando sentir minha falta, feche os olhos e respire fundo. Saberá que estou pensando em você.

                                                                                       Cece.

   Ah, Cece... Você nunca se preocupou consigo mesma - pensei -.
   Uma lágrima rolou pelo meu rosto. Eu sorri.
   Prometemos ficar juntos para sempre. Promessa de dedinho.
   - Sua bobinha... Você está bem ao meu lado agora, você está cumprindo a promessa.