Eu não tinha me dado conta, mas Cece já não respirava mais. Meus pais apareceram na porta do quarto dela, chorando, e minha mãe disse:
- Querido, Cece já não está mais entre nós.
Meu corpo se paralisou. E-ela MORREU ? - pensei -. Meus olhos se arregalaram e eu passei minutos no mesmo estado. Quando finalmente sai de meu transe, olhei para Cece, abracei seu corpo gélido e comecei a chorar.
Como ela pode? Como ela pode fazer isso comigo? Como ela pode me deixar? Minha irmã... Minha irmãzinha querida... Como você pode me deixar?
De repente, a pergunta que Cece me fez no lago no dia anterior surgiu em minha cabeça. Ela sabia que ia morrer. Papai e mamãe também deviam saber. Porque eu não sabia?
Deixei o corpo de Cece e fui até a sala de estar, onde meus pais estavam.
- Vocês sabiam não é? Vocês sabiam. Porque eu não sabia? - as lágrimas caiam de meu olhos como se fossem parte de uma cachoeira -.
- Querido - respondeu minha mãe -, Cece pediu para não lhe contar, ela não queria que você soubesse.
- Porque? O que ela tinha? Porque não quis me contar?
- Jesse – disse meu pai, pondo a mão sobre o ombro de minha mãe -, ela tinha câncer. Descobrimos isso a alguns anos. Ela não queria que você soubesse, porque sabia que você não ia aguentar vê-la doente.
- Ela não tinha esse direito – disse, cerrando os punhos e começando a correr para o quarto de Cece -.
- Jesse! Jesse! Voltei aqui!
Pulei em cima da cama de Cece, a abracei e comecei a chacoalhá-la.
- Cece, vamos Cece, acorde, você tem que acordar! Vamos Cece, acorde, acorde! V-você tem... tem que acordar... Por favor... Acorde...
Senti perder todas as minhas forças. Soltei Cece e cai ao seu lado na cama. Eu não conseguia me mexer. Ela estava dormindo. Ela tinha que estar dormindo. Ela não morreu. Isso é um sonho, um sonho - pensei -. Eu estava exausto. Dormi ao lado dela.