Quando finalmente acordei, estava em meu quarto. Levantei de minha cama, atordoado. Fui cambaleando, encostado nas paredes, até o quarto dela. Ela não estava mais lá. Senti meu corpo desmoronar. Cai de joelhos no chão de seu quarto e voltei a chorar.
Levantei-me. Fui á cozinha. Minha mãe estava lá, preparando o jantar.
- Mãe... Onde ela está?
Ela não respondeu, nem se quer olhou para mim.
- Mamãe, onde ela está?
- Ela está no céu Jesse – ela disse isso chorando. Não sei se por causa de Cece, ou das cebolas que estava cortando. Mamãe era forte, quase nunca chorava -.
- Onde está o papai – disse enquanto sentava-me em uma das cadeiras da cozinha, segurando os joelhos e olhando para o nada -?
- Eu não sei. Jesse... V-vá ao quarto de Cece. Em sua mesa de cabeceira tem uma carta endereçada a você.
Eu me levantei sem dizer nada. Fui ao quarto de minha irmã, peguei a carta e sentei em sua cama para ler. Abri o envelope. A carta dizia:
Jesse,
Eu sinto muito por não manter aquela minha promessa de quando éramos crianças. Mas, eu tive que partir, não é? Todos têm que partir um dia. Eu não sou exeção.
Eu lhe devo explicações.
Primeira explicação: Eu tinha câncer pulmonar. E essa foi a causa de minha morte.
Segunda explicação: Sei que você me ama. Também sei que não suportaria me ver doente, por isso pedi a papai e mamãe que não lhe contassem nada. O meu câncer não tinha cura, eu morreria de qualquer jeito. Não queria que você sofresse a toa.
Eu sabia que ontem seria meu último dia, por isso quis passá-lo com você. Por isso fizemos todas aquelas coisas e tiramos todas aquelas fotos. Queria que você tivesse fotos minhas para quando eu me fosse.
Sei que devia ter te contado, mas Jesse, eu amo você demais. Não podia vê-lo sofrer por minha causa, eu ficaria muito infeliz, ser doente e infeliz não dá né?
Talvez você não entenda, talvez esteja com raiva de mim, mas fiz o que achei que era o melhor a se fazer.
Me perdoe, por favor.
Eu estarei olhando sempre por você, papai e mamãe. E por Joanne também. Olharei por todos.
Tem uma caixa na cor rosa claro em meu armário, dentro dela tem umas coisas que quero que você veja. A caixa é inteiramente sua. São coisas nossas. Talvez não lembre delas, mas eu as guardei por todos esse anos, com muito carinho.
Adeus Jesse,
me perdoe. Me perdoe por favor...
Da sua irmã, Cece.